O cenário profissional de CS:GO vai receber um reforço de peso na Ásia. Em novembro, a ONE Championship, principal empresa esportiva do continente asiático, confirmou investimentos no eSports. Além de acordos com patrocinadores, também serão realizados novos torneios por diferentes países da região. Com isso, jogadores e equipes profissionais do Japão, da Índia e da China, por exemplo, devem crescer e aparecer cada vez mais no cenário mundial.
A ONE Championship nunca teve investimentos fortes no eSports. Fundada em 2011, e com sede em Cingapura, a empresa tem como principal força as lutas de MMA. Ela é a organizadora do evento ONE Fighting Championship, que possui lutadores que já passaram pelo popular UFC, como Brandon Vera e, principalmente, o ex-campeão Demetrious Johnson. Este último, inclusive, será uma espécie de embaixador da empresa no mercado de games.

Com um investimento de 50 milhões de dólares, a ONE anunciou que vai fazer um calendário de eventos de eSports. Cidades como Cingapura, Bangkok, Tokyo, Seoul, Shanghai e Beijing vão receber torneios oficiais de diferentes games, incluindo o CS:GO. A ideia é organizar o cenário asiático e fazer com que as equipes tenham mais destaque no cenário mundial. Atualmente, Europa e América dominam os principais torneios do mundo.

O investimento é mais uma demonstração do crescimento acentuado que tem ocorrido no mundo do eSports. Uma pesquisa realizada pela Newzoo demonstra que o crescimento tem sido intenso. Em 2018, os investimentos no eSports devem ultrapassar os 900 milhões de dólares. Ou seja, um crescimento de 38% em comparação ao ano passado. Deste número, quase 400 milhões de dólares é apenas em patrocínio de empresas com equipes ou jogadores.
Este mercado cresce também no Brasil. Em 2017, por exemplo, a feira internacional Brasil Game Show recebeu um público de 330 mil pessoas. Ou seja, conseguiu mais público do que feiras tradicionais no país, como o Salão Duas Rodas. Esse aumento é uma prova do sucesso do mercado de eSports, não apenas no Brasil, mas também no mundo.
Empresas aumentam participação
A ONE não estará sozinha nesta organização do cenário asiático de eSports. Ela já confirmou que todo o projeto vai contar com ajuda de algumas empresas e organizações. A Japan eSports Union, principal organização japonesa da indústria de games, firmou uma parceria com a ONE com o objetivo de fazer crescer o cenário no Japão. A ideia é realizar torneios em diferentes cidades do país e divulgar a marca.
Outro parceira da ONE é a Razer, principal vendedora de acessórios e periféricos para gamers. Ela foi anunciada como uma aliada importante no novo cenário. A empresa deve ajudar justamente com a experiência que possui no mundo do eSports, já que é patrocinadora de algumas equipes e torneios ao redor do mundo. A Singtel Group, uma empresa do ramo das telecomunicações, e que possui cerca de 700 milhões de clientes pela Ásia, também será parceira nos novos investimentos.
A participação dessas empresas no cenário do eSports se tornaram comum. A MIBR, por exemplo, só conseguiu ser ressuscitada graças ao apoio de três grandes patrocinadoras. Além da Razer que já citamos acima, o time brasileiro também contou com o apoio da Betway, portal de apostas online de eSports, e da Mountain Dew, empresa norte-americana de refrigerantes.
Futuro do mercado de eSports
Apesar da notícia ser mais voltada para o mundo asiático, a entrada da ONE deixa uma boa perspectiva ao mundo gamer no geral. Um dos mercados com maior crescimento econômico, como a China, está investindo e apostando no mundo do eSports. É possível entender isso como uma resposta positiva do mercado.
Segundo a Newzoo, até 2021 a expectativa é que o eSports seja acompanhado por cerca de 600 milhões de pessoas. Jogadores profissionais, que ainda sentem algum tipo de irregularidade na carreira, podem enxergar um futuro mais estável. A profissão de atleta profissional de eSports pode ser não apenas mais respeitada, mas também uma realidade em diferentes locais do mundo.
O resultado da chegada da ONE no eSports ainda está no início, porém os impactos já devem ser sentidos a curto prazo. Nos torneios que vão ocorrer em 2019 não será surpresa nenhuma vermos cada vez mais equipes e jogadores da China, Japão e outros país do outro lado do mundo. A expectativa é que o Brasil, assim como outros países do Ocidente, também percebam isso.