Counter-Strike: Global Offensive

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O imbróglio sobre o time campeão do Major

A primeira grande polêmica no mundo do CS:GO, sem dúvidas foi o caso envolvendo o “arranjo” (ou match-fixing) de jogos envolvendo a equipe da iBUYPOWER e muitos outros, que culminou com o banimento permanente, de torneios da Valve e de seus afiliados, dos jogadores responsáveis.

Parece que agora temos a primeira grande notícia envolvendo uma equipe tupiniquim no mundo das polêmicas. Ao que tudo indica, o time liderado por FalleN – incluindo Coach e Manager -, haviam assinado (antes do início do MLG Columbus 2016, do qual eles sagraram-se campeões) um contrato com a equipe, com base na Alemanha, da SK Gaming. Ficou acertado o início dos trabalhos representando a nova tag à partir de 1º de Julho deste ano corrente.

Porém, segundo o dono da LG, Steve Maida: “Até hoje espero receber um e-mail da SK (Alex, dono da equipe)“. Ressaltou que: “Ele tentou manipular, subornar e realizar propostas a meus jogadores, os quais poucos falam inglês e assim não tem nenhuma representação legal […]”, “Ele fez meus jogadores pensarem que a LG era o mal deles, e os guiou em como quebrar seus contratos com informações falsas e mentirosas […]”.

Segundo Gabriel, eles assinaram o contrato sob pressão da organização alemã, e se arrependem tremendamente pelo “erro” que cometeram, dizendo que: “Isso nos levou a 1 dia antes de viajar para o major, onde nós decidimos como grupo assinar o contrato. O maior erro de nossas vidas. […]”, “Nós com toda certeza cometemos um erro e nós somos os únicos a serem culpados. […]”.

A história tem início em Dezembro de 2015, onde na ESL ESEA Pro League Finals, o time resolveu assinar e manter uma “Letter Of Intent” – que poderia ser traduzido de forma mais concisa como “Carta de Intenção” ou “Acordo de Intenções” – com a equipe Luminosity Gaming. Esta Carta, tornava obrigatório a representação dos jogadores sob qualquer circunstância para a LG, até que fosse assinado um contrato oficial com os jogadores em até 2 semanas após a assinatura da Carta. Após isto, FalleN afirma que a organização canadense começou a obedecer os termos propostos na Carta em até alguns meses após o início de sua vigência, sendo o grande ponto que o time começou a fornecer, o novo salário proposto na Carta. Sendo assim, a organização teria até 14 dias para propor um novo contrato e os jogadores realizarem sua assinatura, mas segundo Gabriel, os jogadores da equipe continuaram adiando e adiando a assinatura do contrato, tornando assim “Actus, a principio nullus, nullum producit effectum“, ou em português, “O ato nulo desde o princípio não produz nenhum efeito“, mesmo o time realizando o pagamento dos salários nos novos termos, a “LOI” perdeu seu valor legal, pois seu principal termo foi quebrado (que seria o contrato). A organização insistiu na assinatura dos jogadores para o novo contrato, mas estes refusaram ou adiaram sua assinatura ao longo de vários torneios, o que ocasionou na ruptura da “LOI”. Com isso, a SK Gaming viu uma oportunidade e começou a pressionar os jogadores a assinarem com a equipe germânica, afim de não perder a “Janela de Transferências” da AMES [sic] – ou, WESA -, permitindo assim a entrada da equipe para a organização mundial que visa organizar os e-Sports.

Mas nem é de todo mal o que a equipe brasileira produziu de efeito, afinal a SK através de pressão induziu os jogadores a assinarem os contratos e, segundo Gabriel, indagou aos jogadores discrição nas conversas mantidas entre eles, onde até o momento FalleN era um dos únicos que não anseava a mudança de equipes, mas acabou convencido pois todos os seus companheiros queria mudar de organização. Ele disse: “A SK nos disse bem no começo para não compartilhar as informações que estávamos discutindo com ninguém. Ele [Alex] sabia que isso era errado e nós também. […]”, “A SK sabia que nós tinhamos uma LOI vigente para extender nossos contratos assinados e não apenas não respeitou isso, […] mas também enfiou na cabeça de meus companheiros que eles não tinham de submeter-se ao contrato com a LG. […]”.

Oficialmente a equipe alemã, enviou os contratos para assinatura no dia 21 de Março de 2016, e os jogadores os assinaram em 26 de Março.

Depois de tudo isso, a equipe ao retornar da DreamHack Masters Malmö, decidiu desfazer sua mudança e foram comunicar isso à SK, a qual respondeu com um sonoro não. Segundo FalleN, foi dito pela equipe: “[…] grow up […] the contract was signed. […]”, traduzindo: “Cresçam pois os contratos já foram assinados“.

Para realizar a defesa da SK nesse caso, foi anunciado Pietro Fringuelli, que é comissário da AMES, a qual foi fundada basicamente pela ESL (Electronic Sports League), e foi informado aos jogadores que caso eles não mudassem de ideia a equipe poderia ser desclassificada dos torneios organizados pela ESL (até mesmo a ESL One Cologne 2016) e seriam proibidos de praticar a profissão durante o tempo de contrato. Depois que foi anunciado que um membro de uma empresa que organiza campeonatos seria o advogado da SK, fora rebatido tal uso de imagem, e rapidamente, Pietro retirou-se do caso e outra pessoa foi destacada para realizar a defesa da equipe alemã, Konstantin Ewald, o qual informou que os jogadores seriam processados caso não comecem a competir pela SK Gaming a partir de 1º de Julho. O lado brasileiro é representado por Bryce Blum.

Ainda nesta bagunça, existe um membro da AMES, Ralf Reichert, o qual é sócio da SK Gaming. Porém, quando perguntado através de Steve Maida (dono da LG), este disse que nada tinha a ver com a situação e que o que a SK fez, era totalmente legal na sua visão.

FalleN finalizando disse: “O que nós não percebemos foi que a jogada feita por Alex e a SK foi na verdade algo chamado ‘Tortuous Interference’ [sic], o qual é ilegal não só nos eSports. […]”. A “Tortious Interference” é reconhecida nas leis estadunidenses como quando, uma pessoa intencionalmente fere um contrato ou outras relações de negócios. Gabriel continuou dizendo que: “Eu tentei alertá-los [Alex e a SK] nos primeiros emails que eles me enviaram para falar estritamente com Steve. Após todas as negociações, eles nos disseram que nos dariam um cheque em aberto de 1 milhão de dólares como segurança. […]”.

Ainda havia a chance da LG “segurar” a parte dos jogadores das quantias dos prêmios vencidos por estes, mas este argumento foi rebatido pela própria Luminosity, que através das falas de Gabriel disse: “[…] eles repetidamente nos disseram que eles não iriam reter nosso dinheiro de premiações. […]”. FalleN ainda assegurou que a equipe resolveu mudar de ideia e permanecer na equipe atual, não pelo perigo da equipe reter suas quantias, mas porque eles sentem-se seguros e confortáveis.

O principal argumento apresentado por FalleN, foi que eles ainda são amadores neste mundo de negócios e que não tinham ideia do tamanho da bola de neve que isso iria se tornar e não previam tantos problemas como os que têm agora, “We are very amateurs on business, we are young and most of us never has been through those process. […]”. Tudo que nos resta é manter a fé que tudo dará certo para a LG, afinal, foi a equipe que logo no começo, quando ainda éram Keyd Stars, confiou e dedicou tudo pelos jogadores brasileiros, que depois de 1 ano no cenário mundial, ganharam seu primeiro título mundial.

Fontes: http://espn.go.com/esports/story/_/id/15774305/sk-gaming-luminosity-locked-contract-disputes-sk-attempted-poach-luminosity-players, http://www.dailydot.com/esports/fallen-csgo-response-sk-gaming-controversy/, http://www.jurisite.com.br/dicionariolatim/

PhK
Paulo Henrique, 19 anos, estudante a Bacharel de Sistemas de Informação pela FACET em Curitiba no Paraná. Staff do SiteCS desde 2010.

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