Entrevista com BiDa

Tivemos a honra de entrevistar Bernardo “BiDa” Moura, caster e player brasileiro. Ele é mais conhecido por suas narrações empolgantes e transmitir jogos internacionais em português brasileiro. Foi um prazer fazer essa entrevista, com respostas muito inteligentes!

“BiDa no 5º Encontro da Games Academy na LGX Lan em 2014”. (Fonte/Créditos: Página pessoal BiDa)

[SITECS] Antes de tudo gostaria de pedir para você apresentar-se, conte mais sobre quem é o BiDa fora da internet.
[BiDa] Não entendi a pergunta, como assim vida fora da Internet? Não conheço vida fora da internet! Haha
Antes de começar a narrar, cursava Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), razão pela qual me mudei para Florianópolis. Hoje vivo em torno das streams, sempre procurando transmitir o máximo de jogos e fazer stream jogando sempre que possível.

[SITECS] BiDa, sabemos que você não começou como narrador no CS:GO e teve alguma experiência com o CS 1.6. Poderia nos contar um pouco da sua história como jogador?
[BiDa] Conheci o CS em 2002 quando estava na 5a série do ensino fundamental. Fui convidado por um amigo a ir em uma “lan house” palavra que nunca tinha ouvido falar, chegando lá fiquei na fila por 2 horas para jogar 1 hora por R$5, essa horinha foi suficiente para gostar do jogo e querer voltar mais vezes.Nos anos seguintes frequentei semanalmente inúmeras lans na minha cidade e inclusive fiz parte do time de Battlefield e de CS de uma delas. Campeonatos joguei poucos e pequenos, sempre com péssimos resultados sendo eliminado na primeira ou segunda rodada.

Desde aquela época, minha vida sempre girou em torno de 3 jogos principais: Counter-Strike (1.5, 1.6 e hoje GO), Warcraft III (depois DotA e hoje Dota2) e Priston Tale. Poderia jogar outros jogos nas horas vagas, mas esses 3 sempre voltavam. Acredito que foi em 2007, quando cursava o 2o ano do ensino médio, que deixei de lado o CS de vez e só fui voltar no início de 2012, quando foi hosteado um servidor de CS1.6 na Faculdade onde estudava e anunciaram que seria feito um campeonato de CS nos “Jogos Sedentários” (campeonato de sinuca, truco, FIFA, …). Fui lentamente atraído de volta ao Counter-Strike até que ouvi falar de uma nova versão que estava vindo, CS:GO.

Tinha certeza de que o jogo seria muito ruim, mas comprei na pré-venda só pra ver como era. Primeira impressão foi péssima, jogo ruim, servidor lagado (MM na época só tinha servidor gringo), jogadores muito ruins (na época ninguém tinha patente, portanto era uma bagunça)… Continuei jogando 1.6 e só casualmente jogava CS:GO com um amigo meu de outro jogo.

No mesmo ano, parei completamente com o 1.6 e migrei pro CS:GO, assistindo NiP vencer torneio atrás de torneio e me espelhando bastante no melhor jogador da época, GeT_RiGhT. Conheci a Twitch nessa época e acompanhava duas streams: brunobit1 e gafallen.
Em 2013 esses dois monstros vieram a ser meus professores na GA, onde fiz os dois meses que foi oferecido aulas do jogo e após o término das atividades no CS:GO, continuei o contato com o FalleN e junto do G-5 entramos no mundo competitivo criando conteúdos para o YouTube da GA.

[SITECS] Quando resolveu deixar de ser jogador para começar a narrar? E qual o motivo de tal escolha?
[BiDa] Em 2013 começaram a surgir cada vez mais campeonatos e o CS:GO começou a ganhar muita atenção mundialmente, o único narrador em atividade no Brasil era o FalleN e estávamos procurando alguém pra assumir esse papel, eu como sempre fui muito tímido e nunca quis tentar, mas quando precisava estava de comentarista. Quando anunciada a DreamHack Winter 2013, me programei junto do FalleN pra transmitir todos os jogos do campeonato, sempre com ele narrando e eu comentando, porém acabou dando errado… Os jogos começavam às 5:00 da matina pra nós no Brasil e o Fall acabou não conseguindo dormir cedo pra acordar na madrugada, resolveu tentar virar a noite. Acabando o terceiro jogo ele me disse estar morto, me passa acesso ao computador dele por Team Viewer e diz pra eu narrar a partida no auto director que ele iria dormir. Preciso nem dizer que narrei muito mal, sabia nada do assunto, mas fui tentando aprender na hora.
Vídeo de uma das primeiras partidas que “narrei”: 

https://www.youtube.com/watch?v=q6TAqntxnkM

Um mês depois finalmente chegou meu novo computador, um onde poderia jogar com FPS alto e até mesmo streamar eu jogando. O que fiz, por 1 mês exclusivamente jogando. Até que em fevereiro surge uma outra DreamHack (Invitational) em que o FalleN não poderia transmitir. Assumi a bronca e resolvi narrar este campeonato.

Sempre que me dedico a uma coisa, eu dou tudo por ela, foi assim no colégio para passar na faculdade federal, no Priston Tale dedicando por 1 mês todos os dias da meia noite até às 8 horas da manhã ficar “upando” os meus bonecos e de outras pessoas em troca do dinheiro do jogo. Até o CS:GO, que abracei praticando inúmeras horas ao dia e criando vídeos para “recrutar” novos jogadores e melhorar os existentes. Percebi através do Anders Blume, na época narrador da NiP TV junto do Albert, o quão importante era a transmissão dos jogos para o crescimento do jogo e era a melhor forma que tinha de disseminar o jogo.

[SITECS] Existe alguma influência passada, que o fez pegar gosto por narração de e-Sports?
[BiDa] Nenhuma, como disse sempre fui muito tímido e nunca tive interesse por narração. Foi uma surpresa eu ter gostado e todo dia enfrento minha timidez.

[SITECS] Nos últimos campeonatos da ESEA, você tem jogado com o TST-BR. Poderia nos dizer de quem foi a ideia de formar esse time, e o motivo do mesmo?
[BiDa] A ideia do TST BR foi minha, mas a ideia de criar um time de streamers já era mais antiga e algo bem natural, provavelmente o primeiro que sugeriu foi algum viewer em nossas livestreams, durante a BGS comentamos na possibilidade de fazer alguma coisa assim, mas ficou só na conversa.
O único problema de juntar os streamers era em termos de horário, todos tem suas responsabilidades com suas streams e também fora delas. A liga ESEA foi o palco perfeito para essa ação devido ao fato de não serem horários fixos. São apenas duas partidas por semana que podemos marcar nas horas que todos pudessem jogar.
Acho que o objetivo principal era a diversão, tanto nossa quanto do público, algo que alcançamos em todo santo jogo que disputamos, seja nas minhas pinadas ou em algum dos comentários realizados pelo time. Achei uma experiência muito legal e gostaria de repetir na próxima temporada da liga ESEA.

[SITECS] Contando todas as organizações pelas quais você já passou, existe algum jogador que o marcou de alguma forma?
[BiDa] Em se tratando de equipes que joguei? Minha dupla de Stealth Army: Mauricio “G-5” Cardoso. Acho que formávamos uma boa dupla e sempre tivemos uma boa convivência. Eramos a dupla mais nerd do CS:GO e tínhamos as táticas mais fdps do mundo, seja ela com pezinho maroto em píxel invisível ou com bombas combinadas.

[SITECS] Tendo em vista todos os campeonatos narrados em 2014 e 2015, você acha que a equipe brasileira que está nos representando tem boas chances nesse major?
[BiDa] Tenho muita confiança nessa atual equipe da Keyd, na época que o FalleN anunciou que Hen, Lucas e Fnx nao faziam mais parte da equipe dele, fiquei um pouco chateado. Os gêmeos sempre mostraram disposição e vinham melhorando muito, porém quando vi a nova equipe, tinha certeza que era a mais forte panela do Brasil. Meu receio é o grupo da Keyd na competição, NiP é sempre uma pedra no nosso sapato, desde 2012 quando o PG.TD viajou para a Europa pra disputar ESWC até a MLG X-Games em 2015 as equipes brasileiras sempre tiveram os suecos como oponentes. HellRaisers há muito tempo é muito instável, porém sempre se mostraram muito fortes em MD1, inclusive vencendo do invencível Fnatic durante o último major. O oponente mais fraco são os americanos da CLG, que são bons amigos da equipe Brasileira e ídolos recentes do público brasileiro.

[SITECS] Qual foi o campeonato que você mais gostou de narrar? Por que?
[BiDa] Acho que o campeonato que mais gostei de narrar foi o MLG X-Games no início desse ano. Foi um campeonato muito bem organizado e com jogos fantásticos. Aquele primeiro dia de fase de grupos onde todas as equipes ganharam e perderam um jogo foi algo memorável.

[SITECS] Ansioso pra narrar o Major?
[BiDa] Eu estou bastante empolgado pra narrar o campeonato, mas acho que estou mais ansioso para os jogos da KeyD do que qualquer coisa, torcendo muito por eles.

[SITECS] BiDa, uma última pergunta. Cadê a geladeira?
[BiDa] Continua no mesmo lugar, quem trocou de cômodo fui eu!

BATE-BOLA:

Jogo: CrossFire 

Arma: Scout

Mapa: de_tuscan (CS 1.6) e Vertigo (CS:GO)

Patente no CS:GO: Águia 2

Time estrangeiro: Torcia pro NiP no início, hoje não tenho preferidos.

Time nacional: Em campeonatos nacionais só torço pro TST BR, nos internacionais torço pra equipe brasileira.

Player estrangeiro: KennyS

Player nacional: FalleN

OFF-TOPIC:

Uma banda: Linkin Park

Prato preferido: Farofa

Filme: Clube da Luta

Livro: Capitães da Areia

Para finalizar:
[SITECS] Muito obrigado pela sua entrevista, agora deixamos esse espaço para você dizer o que tiver vontade 😀
[BiDa] Responder essa entrevista foi um prazer e espero ler várias entrevistas como essas de outras personalidades!
Obrigado pela oportunidade!

By
Paulo Henrique, 19 anos, estudante a Bacharel de Sistemas de Informação pela FACET em Curitiba no Paraná. Staff do SiteCS desde 2010.

4 Comentários

  1. Parabéns pela entrevista PHK… Sucesso ao BIDA grande nome do E-Sports!

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  2. Pô Bidão mandou mto bem, seu carisma é impressionante!!!
    todo sucesso do mundo pra vc cara!!!

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  3. mito!

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  4. Uma das principais personalidades do CS GO brasileiro.
    Ótimo narrador, por vezes somente ouço a narração pelo celular e consigo entender perfeitamente o round.
    Parabéns pelo trabalho!

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